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Uma árvore de Humanidade floresce em Montpellier

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Após sete anos de restauro, [o agora Centro de Artes] Carré Sainte-Anne — antiga igreja neogótica no coração de Montpellier, França — reabre as suas portas com uma instalação monumental do artista francês JR. Intitulada Adventice, a obra transforma o espaço sagrado numa catedral viva de histórias humanas.

A meio da nave principal, ergue-se uma árvore colossal composta por mais de 10.000 mãos de pessoas de todo o mundo, digitalizadas e impressas em papel. Estas mãos, estendidas em direção ao teto abobadado, substituem as folhas e formam um símbolo poderoso de enraizamento, migração e identidade coletiva. Cada mão representa uma história única, e juntas, elas formam um organismo simbiótico que cresce com cada novo visitante. A escolha do papel como material da instalação reforça a ideia de fragilidade, efemeridade e humanidade partilhada.

 

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Os visitantes podem digitalizar as suas próprias mãos no local, contribuindo para a expansão contínua da obra até o encerramento da exposição, a 7 de dezembro de 2025.

O título da obra - Adventice - vem do termo botânico adventício, que designa plantas que crescem espontaneamente em locais onde não foram intencionalmente semeadas — muitas vezes chamadas de ervas daninhas. JR reformula o termo como uma metáfora para presenças não planeadas, mas essenciais, tanto na natureza quanto nas cidades e nas comunidades humanas.

A instalação também faz referência a um capítulo pouco conhecido da história de Montpellier: durante a Idade Média, sementes estrangeiras chegaram à cidade junto com tecidos importados de Espanha, Norte da África e Constantinopla. Lavadas no rio Lez, essas sementes germinaram e enriqueceram a biodiversidade local — um fenómeno espontâneo que inspirou a criação do primeiro jardim botânico da França.

Além da árvore principal, a instalação inclui cinco esculturas em madeira e papel, exibidas pela primeira vez. Essas peças expandem a linguagem visual de JR, explorando conexões humanas em formas mais íntimas e materiais.

 

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A instalação não é apenas visual. Aqueles que se aproximam da árvore podem ouvir um batimento cardíaco suave, quase imperceptível, mas profundamente humano — um lembrete de que, por trás de cada mão, há uma vida.

 

Imagem: JR 

 

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